Primeiro-ministro afirma que conflito não é provável, mas não pode ser descartado após declarações do presidente americano.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou nesta terça-feira (20) que o território se prepara para a possibilidade de uma invasão dos Estados Unidos, em meio às recentes ameaças feitas pelo presidente Donald Trump. Segundo ele, tropas da Dinamarca e de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) já integram os planos de segurança. “Não é provável que haja um conflito militar, mas não pode ser descartado”, declarou.
Durante coletiva em Nuuk, Nielsen esteve acompanhado do ex-primeiro-ministro Mute B. Egede, que reforçou a necessidade de a população se preparar para cenários extremos, incluindo o armazenamento de alimentos por pelo menos cinco dias. Ambos classificaram as declarações de Trump como desrespeitosas e destacaram que a Groenlândia integra a OTAN, o que ampliaria as consequências de qualquer ação militar.

As falas ocorrem após Trump intensificar a pressão pela anexação do território, chegando a ameaçar impor tarifas a países europeus que se opuserem ao plano. O presidente também acusou a Dinamarca de falhar em conter a influência russa na região e afirmou, nas redes sociais, que “chegou a hora” de resolver a questão da Groenlândia.
A escalada retórica ganhou novos contornos com a divulgação de imagens geradas por inteligência artificial mostrando a Groenlândia como território americano, além de mapas que incluem Canadá e Venezuela sob controle dos EUA. As publicações ampliaram a tensão diplomática com aliados europeus, que rejeitam qualquer possibilidade de transferência de soberania sobre a ilha ártica.