A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Rondônia (Aprosoja RO) acompanha com preocupação a recente elevação do preço do óleo diesel em todo o país. O aumento ocorre justamente quando os produtores rurais já enfrentam uma grave crise de inadimplência, juros elevados, crédito restrito, dificuldades na colheita em diversas regiões e margens negativas, cenário que faz muitos compararem o momento atual às grandes crises históricas vividas pelo setor.
O diesel ocupa posição central na formação de custos da atividade agropecuária, mas também em diversas cadeias produtivas essenciais à subsistência da população. Ele abastece equipamentos agrícolas, viabiliza o transporte de insumos e garante que a produção chegue aos centros de consumo e aos portos. Em estados da região Norte, como Rondônia, onde as distâncias são grandes e a logística depende majoritariamente das rodovias, o peso desse insumo torna-se ainda mais sensível.
Sabe-se que a recente elevação dos preços está associada às tensões geopolíticas e às incertezas do cenário internacional. Porém, a velocidade e a intensidade com que esses choques externos têm sido repassados às bombas no mercado interno chamam atenção e levantam questionamentos sobre eventual oportunismo de parte da cadeia de distribuição.
O episódio também representa uma oportunidade para avançar na redução da dependência de diesel importado, por meio da ampliação do percentual de biodiesel na mistura do diesel. O fortalecimento da participação dos biocombustíveis na matriz energética contribui para reduzir a exposição do país ao mercado externo e, ao mesmo tempo, fortalece cadeias produtivas nacionais ligadas à agricultura.
O Brasil possui oferta significativa de óleo vegetal, especialmente derivado da soja, que pode contribuir para esse processo. A ampliação da mistura de biodiesel no diesel, atualmente em debate no país, representa um passo importante nessa direção. A evolução para níveis superiores de mistura, como o B17, pode ampliar a participação de combustíveis renováveis produzidos internamente e reforçar a segurança energética nacional.
Ao mesmo tempo, episódios de forte volatilidade internacional como o atual exigem respostas de curto prazo capazes de amortecer impactos econômicos mais severos. O país já utilizou instrumentos tributários para reduzir pressões sobre os combustíveis em momentos de instabilidade. Medidas que envolveram a suspensão de tributos federais e ajustes nas alíquotas de ICMS estaduais demonstraram que, em circunstâncias excepcionais, a política fiscal pode ser utilizada de forma temporária para proteger a economia e evitar efeitos inflacionários mais intensos.
Diante desse quadro, a Aprosoja Rondônia informa seus associados que fará interlocução com o Governo do Estado para propor a redução temporária do ICMS e buscará o apoio da bancada federal para defender a zeragem dos tributos federais incidentes sobre os combustíveis — PIS, Cofins e Cide — como já ocorreu em anos anteriores, com o objetivo de atenuar o impacto inflacionário desse aumento.
Aprosoja Rondônia
Imagem gerada por I.A.
Fonte Assessoria Aprosoja