A capital paulista recebe, entre os dias 12 e 14 de maio, a 36ª Reunião Anual do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), que deve reunir especialistas da academia, da agroindústria e da indústria de alimentação animal para discutir estratégias de eficiência produtiva em um ambiente de custos elevados e instabilidade no mercado internacional.
O encontro ocorre em um momento em que a nutrição animal ganha protagonismo dentro da cadeia de proteínas, especialmente na avicultura, onde a alimentação responde por cerca de 70% do custo de produção. A pressão sobre insumos como milho e farelo de soja, somada à volatilidade geopolítica e energética, tem levado empresas a revisarem suas estratégias e buscarem maior flexibilidade na formulação de rações.
Um dos principais eixos do evento será a diversificação de matérias-primas. A adoção de dietas multi-ingredientes — com inclusão de insumos como sorgo e trigo — vem sendo apontada como alternativa para reduzir a dependência de commodities tradicionais e melhorar o equilíbrio entre custo e desempenho zootécnico. A estratégia, no entanto, exige maior precisão técnica e capacidade operacional por parte das indústrias.
O tema será aprofundado em painéis que discutem retorno sobre investimento (ROI) na nutrição animal, com foco na eficiência econômica das formulações. Especialistas devem apresentar modelos que conciliam desempenho produtivo, qualidade de carcaça e redução de custos, em um cenário de margens mais pressionadas para produtores e integradoras.
Apesar do potencial, a diversificação enfrenta entraves. A garantia de fornecimento em escala, a adaptação das fábricas de ração para múltiplos ingredientes e a confiabilidade das informações nutricionais ainda são desafios relevantes. A capacidade de gestão desses fatores tende a determinar o ritmo de adoção das novas práticas no setor.
Outro ponto em debate será a necessidade de qualificação técnica, diante de uma produção cada vez mais intensiva em tecnologia. A nutrição animal moderna exige maior integração entre dados, manejo e formulação, o que eleva o nível de exigência sobre profissionais e empresas da cadeia.
A programação inclui painéis técnicos com representantes da indústria, da pesquisa e da academia, abordando temas como custo de produção, eficiência alimentar e inovação em nutrição. A reunião ocorre paralelamente à Fenagra, feira internacional voltada à tecnologia e processamento da agroindústria Feed & Food, ampliando o intercâmbio de conhecimento e a conexão entre os diferentes elos do setor.
Em um cenário global mais instável, a expectativa é de que o evento reforce o papel da nutrição como ferramenta estratégica para manter a competitividade da produção animal brasileira, especialmente em cadeias exportadoras como a de aves, altamente sensíveis à variação de custos.
Fonte: Pensar Agro