O desempenho da agropecuária brasileira em 2025, divulgado pelo IBGE na última terça-feira (3), reforçou a importância do setor para o crescimento da economia nacional, na avaliação de parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Mesmo diante de juros elevados, dificuldades de acesso ao crédito e ausência de recursos para políticas públicas relevantes, como o seguro rural, o campo voltou a apresentar resultados expressivos.
Para o vice-presidente da FPA na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), os números confirmam a resiliência do produtor rural brasileiro em um ambiente econômico adverso.
“Mesmo diante de tantas dificuldades, o produtor rural brasileiro segue demonstrando resiliência. O setor continua produzindo, investindo e garantindo segurança alimentar para o país”, afirmou.
Segundo o parlamentar, o cenário recente tem sido marcado por entraves importantes ao financiamento da produção. Ele lembrou que, na última safra, não houve liberação de recursos de subvenção ao seguro rural e que as taxas de juros próximas de 15% tornaram linhas estratégicas de financiamento, como o Moderfrota, mais caras para o produtor.
Arnaldo Jardim também destacou a mudança no perfil do financiamento do agronegócio brasileiro. De acordo com ele, atualmente apenas cerca de 20% do crédito ao setor tem origem em recursos públicos, enquanto 80% já vêm do mercado privado, por meio de instrumentos financeiros criados e aperfeiçoados pelo Congresso Nacional.
Entre esses mecanismos estão os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro), que ampliaram a oferta de crédito ao setor.
“Grande parte do crédito hoje vem desses títulos do agronegócio. Fizemos um grande esforço para evitar a tributação desses instrumentos, porque eles são fundamentais para garantir financiamento ao setor”, acrescentou.
O deputado também chamou atenção para fatores externos que podem pressionar os custos de produção nos próximos anos. Segundo ele, tensões geopolíticas e gargalos logísticos globais podem afetar o comércio internacional e encarecer insumos estratégicos, como os fertilizantes.
“O fechamento do Estreito de Ormuz, os problemas no Canal de Suez e a instabilidade no Oriente Médio podem encarecer o comércio internacional e os fertilizantes, o que afeta diretamente o produtor brasileiro”, disse.
Para o ex-presidente da FPA, deputado Sérgio Souza (MDB-PR), o resultado reforça o papel estratégico da agropecuária na economia nacional. “O crescimento de 11,7% da agropecuária em 2025 confirma a força do campo como pilar da economia brasileira. Com safras recordes de soja e milho e desempenho histórico da pecuária, o agro segue gerando renda, emprego e colocando o Brasil em posição de destaque no cenário mundial”, afirmou.
O deputado Tião Medeiros (PP-PR) também ressaltou a relevância do setor para o desempenho econômico do país. “O PIB brasileiro mais uma vez foi impulsionado pela agropecuária. A força deste país vem de quem produz, de quem empreende, de quem planta. Devemos tratar esse setor com o devido reconhecimento”, declarou.
Dados do IBGE
Segundo o IBGE, o PIB da agropecuária cresceu 11,7% em 2025 na comparação com o ano anterior, totalizando R$ 775,3 bilhões. O setor respondeu por cerca de 6,1% do PIB brasileiro, participação que se amplia quando considerados segmentos ligados ao campo, como insumos, agroindústria, transporte e comércio.
De acordo com o instituto, o avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento da produção e da produtividade agrícola. Entre os destaques estão o milho, com crescimento de 23,6%, e a soja, com alta de 14,6%, ambos com recorde de produção na série histórica. A pecuária também contribuiu para o resultado positivo.
No quarto trimestre de 2025, a agropecuária avançou 12,1% em relação ao mesmo período de 2024. O desempenho foi influenciado pela pecuária e por produtos com safra concentrada no período, como fumo (29,8%), laranja (28,4%) e trigo (3,7%).
No acumulado do ano, o PIB brasileiro somou R$ 12,7 trilhões, com crescimento de 2,3% frente a 2024. O resultado foi puxado pela Agropecuária (11,7%), além dos avanços da Indústria (1,4%) e dos Serviços (1,8%).
Fonte FPA