Feira da cannabis expõe mercado com potencial de R$ 1 bilhão ao ano para o agronegócio

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Começa nesta sexta-feira (14.11) em São Paulo, a ExpoCannabis Brasil 2025. Considerada a maior vitrine de negócios, ciência e política sobre cannabis da América Latina, a feira que termina domingo (16) deve reunir 45 mil visitantes, 250 expositores e 280 marcas.

A ExpoCannabis 2025 terá o agronegócio como um dos focos principais, com áreas dedicadas a genética, insumos, nutrição, rastreabilidade e máquinas de cultivo. A programação inclui três espaços de educação: o Fórum Internacional, o Congresso Científico Dr. Elisaldo Carlini e a arena de workshops.

Pesquisas mostram que o Brasil poderia alcançar cerca de 64 mil hectares de área plantada com cânhamo industrial até 2030, substituindo importações, barateando produtos e tratamentos, além de gerar excedentes exportáveis.​

Durante o evento, será apresentado o projeto HempTech Brasil, iniciativa conjunta da Embrapa, do Instituto Ficus e da The Green Hub. A plataforma atua na articulação estratégica voltada à regulamentação, ao mapeamento de oportunidades e ao estímulo à inovação no setor.

Entre as ações previstas estão a criação do Observatório de Tendências sobre Cannabis no Agronegócio e a Plataforma de Inovação Aberta HempTech, que conectará startups, empresas e pesquisadores para o desenvolvimento conjunto de soluções voltadas ao setor.

Pesquisadores avaliam que a cannabis industrial representa “enorme potencial para a bioeconomia brasileira”, podendo fortalecer a imagem da planta como alternativa sustentável para o agronegócio e outros segmentos. Mas, o país terá de enfrentar resistências culturais e desinformação. A regulamentação, por si só, não resolve a desmistificação do tema. É necessário um trabalho contínuo de informação e capacitação do produtor rural.

A expectativa do setor é que o avanço regulatório previsto para 2026 permita ao Brasil entrar num mercado em forte expansão e capturar oportunidades hoje limitadas a importadores. Mesmo com a regulamentação avançando, o trabalho de informar e capacitar será contínuo para mostrar que a cannabis industrial é uma cultura agrícola como qualquer outra, mas com potencial econômico muito maior.

O mercado global de cânhamo industrial movimentou mais de R$ 50 bilhões em 2024 e deve alcançar R$ 257 bilhões até 2032, segundo relatórios internacionais de consultoria. O crescimento anual projetado fica entre 17% e 23%, impulsionado pela legalização em mais de 60 países, incluindo Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Uruguai.​

Fora desse mercado bilionário, o Brasil importa quase 100% dos derivados de cânhamo consumidos no país, incluindo produtos para o mercado de cannabis medicinal, que deve movimentar R$ 1 bilhão em 2025. A falta de regulamentação impede o país de explorar uma cultura que poderia gerar R$ 5,76 bilhões em receita líquida até 2030, com mais de 14 mil empregos diretos e indiretos.​

Estudos econômicos mostram que a rentabilidade do cânhamo pode chegar a R$ 23 mil por hectare, valor muito superior ao da soja e do milho. A planta tem ciclo curto, permite até quatro safras por ano, regenera o solo, usa menos água e pode ser cultivada em rotação com culturas tradicionais.​

Mais de 60 países já regulamentaram o cultivo e comercialização do cânhamo industrial, deixando o Brasil de fora de um mercado em franca expansão. A ausência de regras claras trava investimentos, pesquisas e projetos do setor privado.

O Brasil tem clima favorável, solos amplamente estudados e uma das cadeias agrícolas mais estruturadas do mundo. Apesar disso, permanece fora do mercado global. Hoje, o cultivo só existe sob autorização judicial, com associações e pesquisadores operando com base em habeas corpus individuais ou coletivos.​

O Superior Tribunal de Justiça determinou que o governo regulamente o cultivo empresarial para fins medicinais e industriais, mas o prazo foi estendido para março de 2026. Especialistas avaliam que o desafio é mais político e normativo do que técnico. “Quem trabalha no agronegócio conseguiria cultivar sem nenhum tipo de problema”, afirmam técnicos do setor.​

O cânhamo industrial apresenta teores muito baixos de THC (tetra-hidrocanabinol), composto responsável pelos efeitos psicoativos da cannabis. A planta gera mais de 25 mil subprodutos para diversas indústrias. As sementes atendem alimentação, cosméticos e suplementos. O caule abastece tecidos, bioplásticos e materiais de construção. As flores e folhas fornecem óleos e extratos para as indústrias farmacêutica e nutracêutica.​





Fonte: Pensar Agro

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