A poucos dias da abertura, o Show Safra Mato Grosso 2026 já mobiliza empresas, produtores rurais e especialistas de diferentes regiões do País. Marcado para ocorrer a partir da próxima segunda-feira (23.03) em Lucas do Rio verde (cerca de 330 km da capital, Cuiabá), o evento se consolidou ao longo da última década como uma das principais vitrines de tecnologia e inovação do agronegócio brasileiro, além de um importante espaço de articulação institucional do setor.
Organizada pela Fundação Rio Verde, a feira deve reunir cerca de 600 expositores, representando mais de 2 mil marcas, além de oferecer uma programação técnica que ultrapassa 170 horas de debates, palestras e demonstrações tecnológicas. A expectativa dos organizadores é receber até 190 mil visitantes ao longo dos cinco dias de evento (termina na sexta-feira, 27).
O crescimento acompanha a expansão observada nas edições recentes. Em 2025, o Show Safra registrou público de aproximadamente 170 mil pessoas e reuniu mais de 500 empresas expositoras, consolidando-se como um dos maiores encontros do agronegócio no Centro-Oeste.
Segundo o diretor executivo da Fundação Rio Verde, Rodrigo Pasqualli, o evento nasceu da própria atuação da entidade em pesquisa e desenvolvimento tecnológico voltado ao campo. Criada há quase quatro décadas, a fundação mantém áreas experimentais e programas de validação de tecnologias agrícolas voltados principalmente à realidade produtiva do cerrado.
“O Show Safra é consequência da pesquisa. Nosso objetivo sempre foi conectar os problemas do produtor às soluções que a tecnologia pode oferecer”, afirmou Pasqualli em entrevista ao podcast Green Live, do Green Future Hub.
Ao longo dos anos, a feira ampliou seu escopo e passou a incorporar debates estratégicos sobre inovação, educação e transformação digital no agronegócio. Espaços temáticos como o Show Safra Connect, voltado à agricultura digital e ao ecossistema de startups, e iniciativas como Show Safra Mulher, Show Safra Educação e Show Safra Pecuária refletem essa tentativa de ampliar o diálogo entre diferentes segmentos ligados à cadeia agroindustrial.
De acordo com Pasqualli, um dos diferenciais do evento é o modelo colaborativo de construção da programação, que envolve universidades, entidades de classe, empresas e instituições de pesquisa. “Não é um evento desenvolvido por uma única instituição. São várias mãos ajudando a construir cada espaço e cada tema”, disse.
A edição de 2026 também deve ampliar o espaço para discussões sobre políticas públicas e ambiente regulatório do setor. Pela primeira vez, representantes dos três Poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — participarão de painéis e debates dentro da programação oficial do evento.
Outro tema que deve ganhar destaque é a expansão das cadeias produtivas ligadas à bioenergia, especialmente a produção de biomassa para abastecer o crescimento das usinas de etanol de milho em Mato Grosso. O Estado concentra hoje a maior parte da capacidade instalada desse segmento no País, impulsionando novas demandas por matérias-primas e integração entre agricultura e indústria.
Além da dimensão tecnológica e institucional, o evento também tem impacto relevante na economia regional. Durante os dias da feira, a movimentação de visitantes e empresas costuma impulsionar setores como hotelaria, transporte, comércio e serviços em Lucas do Rio Verde e municípios vizinhos.
Com esse conjunto de agendas — negócios, inovação e debate político —, a expectativa da organização é que a edição de 2026 consolide ainda mais o Show Safra Mato Grosso como um dos principais pontos de encontro do agronegócio brasileiro.
Fonte: Pensar Agro