Dados do boletim Conjuntural de abril do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) mostram que, em 2025, o Paraná manteve liderança no abastecimento de carne suína ao mercado interno brasileiro, pelo oitavo ano consecutivo.
O estado produziu 1,23 milhão de toneladas da proteína no ano passado. Desse total, cerca de 990 mil toneladas ficaram no mercado doméstico, garantindo uma fatia de 23,7% do consumo nacional, estimado em pouco mais de 4,1 milhões de toneladas.
A liderança está diretamente ligada ao perfil de comercialização. Diferentemente de outros grandes produtores, o Paraná destina a maior parte da produção ao mercado interno, exportando menos de um quinto do volume. Esse direcionamento assegura regularidade na oferta e consolida o estado como principal fornecedor para o consumo brasileiro.
O contraste aparece na comparação com outros polos. Santa Catarina, maior produtor nacional, direciona quase metade da produção ao exterior. Já o Rio Grande do Sul também tem forte vocação exportadora, o que reduz sua participação relativa no abastecimento interno.
O resultado reforça o papel estratégico do Paraná dentro da cadeia de proteínas, especialmente em um momento de demanda firme no país. O consumo doméstico segue sustentado por preços mais competitivos da carne suína em relação a outras proteínas.
O levantamento também aponta movimento positivo em outras cadeias do estado. Na pecuária de corte, os preços no atacado avançaram em março, com alta próxima de 4% nos principais cortes, mesmo durante a Quaresma, período tradicionalmente mais fraco para consumo.
Na horticultura, a beterraba chamou atenção pela valorização expressiva no início do ano. Os preços no atacado subiram cerca de 60%, impulsionados pela menor oferta e pela demanda aquecida.
Já na produção de cogumelos, ainda considerada nicho, o estado registrou R$ 21 milhões em valor bruto de produção, com volume próximo de 1 mil toneladas, indicando espaço para crescimento diante do baixo consumo no país.
As condições climáticas seguem no radar. A irregularidade das chuvas afetou parte das lavouras de segunda safra, especialmente milho e feijão, mas a volta das precipitações em regiões produtoras melhora a perspectiva de recuperação.
O conjunto dos dados mostra um agro diversificado e com base sólida. A liderança na carne suína, somada ao desempenho de outras cadeias, reforça a posição do Paraná como um dos principais polos de produção e abastecimento do país.
Fonte: Pensar Agro